Uma das primeiras perguntas de quem recebe o diagnóstico de insuficiência renal é: quanto isso vai custar? A resposta, no Brasil, é mais animadora do que muitos esperam. A hemodiálise é um direito garantido pelo Sistema Único de Saúde e deve ser oferecida gratuitamente a todo paciente que necessite.
O caminho para acessar esse direito, porém, nem sempre é simples. Este artigo explica o processo.
O que o SUS cobre
Pelo SUS, o paciente tem direito ao procedimento de hemodiálise em si, incluindo o uso da máquina, os materiais descartáveis, a equipe médica e de enfermagem. Também estão cobertos os exames laboratoriais periódicos exigidos pelo protocolo de tratamento e parte dos medicamentos utilizados na diálise, como a eritropoietina.
Medicamentos adicionais variam. Alguns estão disponíveis na farmácia do SUS, outros precisam ser solicitados via mandado judicial ou custeados pelo próprio paciente.
Como iniciar o tratamento pelo SUS
O primeiro passo é o encaminhamento médico. Um médico de qualquer especialidade pode encaminhar o paciente para um nefrologista. O nefrologista é quem avalia a função renal e indica quando o início da diálise se torna necessário.
Com o diagnóstico confirmado e a indicação de hemodiálise, o paciente é encaminhado para uma clínica de nefrologia conveniada ao SUS. Cada município ou regional de saúde tem clínicas credenciadas. Em caso de dificuldade, a Secretaria Municipal ou Estadual de Saúde deve orientar sobre as opções disponíveis.
O transporte até a clínica
Ir à clínica três vezes por semana é uma das maiores dificuldades práticas dos pacientes. Para quem não tem transporte próprio, o SUS oferece o Serviço de Atenção Domiciliar e o transporte sanitário, também chamado de transporte para tratamento de saúde fora do domicílio.
Para solicitar, o paciente precisa de laudo médico atestando a necessidade do tratamento e o endereço da clínica. A solicitação é feita na Secretaria Municipal de Saúde.
Na prática, esse serviço funciona de forma irregular em muitos municípios. Atrasos, cancelamentos e ausências são comuns. Muitos pacientes acabam arcando com os custos do transporte por conta própria, o que representa um peso financeiro significativo em um orçamento já comprometido pela doença.
E se a clínica mais próxima for longe
Em cidades menores ou em regiões sem cobertura, o paciente pode ser referenciado para outra cidade. Nesse caso, o transporte entre municípios também é responsabilidade do SUS, mas depende da organização regional da saúde.
Pacientes que enfrentam dificuldades nesse processo podem recorrer à Defensoria Pública, que oferece assistência jurídica gratuita e pode acionar judicialmente o município ou estado quando o direito ao tratamento não é garantido.
Medicamentos que o SUS nem sempre fornece
A eritropoietina, usada para tratar a anemia causada pela doença renal, está disponível no SUS, mas pode faltar em alguns postos. Medicamentos para controle do fósforo, quelantes de potássio e outros usados no manejo da doença renal variam muito em disponibilidade.
Quando o medicamento não está disponível pelo SUS, é possível solicitar por via administrativa ou judicial. O processo pode demorar, e enquanto isso a necessidade continua. É uma realidade que muitos pacientes enfrentam.
O que o SUS não cobre
Alimentação adequada para a dieta renal, suplementos nutricionais específicos, transporte em casos onde o serviço público falha, e medicamentos fora da lista do SUS ficam por conta do paciente. São esses custos que fazem a diferença entre conseguir ou não manter o tratamento.
É exatamente essa lacuna que o Renal Support Brazil tenta cobrir: transporte, alimentação e necessidades emergenciais para quem não consegue arcar sozinho.
Direitos que você deve conhecer
O paciente renal em hemodiálise tem direito a: tratamento gratuito pelo SUS, transporte para tratamento, medicamentos do componente especializado da assistência farmacêutica, afastamento do trabalho quando necessário e benefícios previdenciários como o BPC e a aposentadoria por invalidez. Conhecer esses direitos é parte do tratamento.
Cada sessão custa mais do que a diálise em si.
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