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Quando o médico fala pela primeira vez em hemodiálise, é comum que a mente trave. O nome é difícil, o procedimento parece complexo e as informações disponíveis na internet muitas vezes assustam mais do que explicam. Esse artigo foi escrito por alguém que vive isso. Não por um manual.

O que é a hemodiálise

A hemodiálise é um processo de filtragem do sangue feito por uma máquina chamada rim artificial. Quando os rins perdem a capacidade de filtrar o organismo, acumulam-se toxinas, líquidos e substâncias que precisam ser eliminadas. A hemodiálise faz esse trabalho no lugar dos rins.

O procedimento é feito em clínicas especializadas ou hospitais, três vezes por semana, em sessões que duram em média quatro horas cada. Não é opcional. Não é temporário na maioria dos casos. É uma rotina.

Como funciona na prática

O paciente chega à clínica, senta em uma poltrona ou deita em uma maca e é conectado à máquina por meio de agulhas inseridas na fístula arteriovenosa, no cateter ou no permcath, dependendo do tipo de acesso vascular que possui.

O sangue sai do corpo, passa pelo filtro da máquina, onde as toxinas e o excesso de líquido são removidos, e retorna limpo. Esse ciclo acontece continuamente durante toda a sessão.

Durante a diálise, a pressão arterial é monitorada constantemente. Câimbras, tontura e queda de pressão são efeitos colaterais comuns, especialmente no início do tratamento.

Os tipos de acesso vascular

Para conectar o paciente à máquina, é necessário um acesso ao sistema circulatório. Existem três tipos principais:

Fístula arteriovenosa: considerada o melhor acesso a longo prazo. É criada cirurgicamente, unindo uma artéria a uma veia no braço. Leva semanas ou meses para maturar antes de ser usada.

Cateter temporário: inserido no pescoço, virilha ou peito quando a diálise precisa começar com urgência. Funciona, mas tem risco maior de infecção.

Permcath ou cateter tunelizado: um cateter de longa permanência inserido cirurgicamente. Usado quando a fístula não é possível ou ainda não está pronta.

O que muda na vida de quem faz hemodiálise

A hemodiálise reorganiza tudo. Três dias por semana ficam comprometidos com o tratamento. A dieta muda radicalmente: potássio, fósforo, sódio e líquidos precisam ser controlados diariamente. O cansaço é real, especialmente nos dias de sessão.

O trabalho fica mais difícil de manter. A renda muitas vezes cai. E junto com isso vêm as contas: transporte para a clínica, medicamentos que o SUS nem sempre fornece, alimentação adequada.

É por isso que projetos como o Renal Support Brazil existem. Não para substituir o sistema de saúde, mas para cobrir as lacunas que ele deixa.

Hemodiálise pelo SUS

No Brasil, a hemodiálise é oferecida gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde. O paciente precisa de encaminhamento médico e cadastro em uma clínica conveniada. O transporte até a clínica também pode ser solicitado pelo SUS, embora nem sempre funcione de forma regular.

O que esperar nos primeiros meses

O corpo leva tempo para se adaptar. As primeiras sessões costumam ser as mais difíceis. A sensação de fraqueza após a diálise é normal e tende a diminuir com o tempo. É importante comunicar ao médico qualquer sintoma incomum durante ou após as sessões.

A hemodiálise salva vidas. E entender como ela funciona é o primeiro passo para enfrentá-la com menos medo.

Cada sessão custa mais do que a diálise em si.

Transporte, alimentação, medicamentos. Doe diretamente para quem precisa, sem intermediários.

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